-----------------------Apollo 13------------------------

Para a missão da Apollo 13 foram selecionados o comandante James Lovell Jr. , o piloto de módulo de comando Thomas Mattingly II e o piloto de módulo lunar Fred Haise Jr. . Mattingly e Haise estariam pela primeira vez no espaço. Os preparativos para a missão começaram em junho de 1969 e seu alvo seria Fra Mauro, uma região montanhosa do maior interesse para os cientistas. Desde o começo a missão apresentou problemas. Em 25 de março de 1970, um procedimento de rotina durante testes, que é a drenagem de grandes quantidades de oxigênio usado para resfriamento para uma vala fora do perímetro da área de testes foi a causa de um estranho acidente. Normalmente, a brisa do mar dissipa o oxigênio. Porém, nessa manhã, uma densa nuvem de oxigênio subiu da vala de drenagem e dirigiu-se para uma auto-estrada nas redondezas. Três carros da equipe de segurança estavam estacionados no local. Quando um dos guardas voltou ao seu carro e ligou o motor, ele ouviu um estampido e chamas espalharam-se pelo capô. Rapidamente os outros dois carros pegaram fogo. Quase uma hora foi necessária para que a nuvem de oxigênio se dissipasse e o fogo pudesse ser controlado. O incidente provou mais uma vez que as operações em terra estavam tão sujeitas a acidentes imprevistos quanto os vôos no espaço. A drenagem de oxigênio foi modificada, assim como os procedimentos operacionais e de segurança em relação a ela. Outro acidente durante os testes que, a princípio, não aparentava importância, foi o começo do que seriam as horas mais críticas da missão Apollo 13. O tanque de oxigênio número 2 do módulo de serviço, um dos dois responsáveis pela alimentação dos sistemas de energia elétrica e apoio da Apollo 13, não esvaziou-se completamente durante repetidos testes. Apenas ao energizar-se o aquecedor do tanque, ventilando-o, a tripulação conseguiu secá-lo completamente. A troca do tanque, entretanto, levaria dois dias e havia a possibilidade de avariar-se outros equipamentos vitais. Além do mais, imaginava-se que o problema não fosse trazer maiores complicações ao fluxo de oxigênio nos sistemas da nave. Assim, decidiu-se por manter-se o tanque defeituoso. Em 5 de abril começava a contagem regressiva. Outro problema ainda estava por acontecer. Charles Duke Jr, um membro da tripulação de apoio contraiu rubéola. A tripulação principal tivera contato com ele e foram expostos a um possível contágio. Testes mostraram que Lovell e Haise tinham imunidade à doença, mas Mattingly não. A NASA, então, analisou as alternativas. Atrasar a decolagem seria muito dispendioso, então foi decidido que Mattingly seria substituído por John Swigert Jr, pois seria pouco inteligente submeter a tripulação à possibilidade de Mattingly desenvolver rubéola durante a viagem. Por fim, com os obstáculos aparentemente transpostos, a contagem terminal foi iniciada às quatro e treze da manhã do dia 11 de abril. A Apollo 13 decolou às duas e treze da tarde. Durante a subida, o motor central do Saturn V desligou-se mais de dois minutos mais cedo. Para compensar, os outros quatro motores permaneceram funcionando 34 segundos a mais do que o planejado. Para maior compensação, o motor do terceiro estágio foi acionado 9 segundos mais cedo durante a inserção orbital. De lado essas complicações, os primeiros instantes da missão transcorreram satisfatoriamente. Após cinqüenta e cinco horas de missão, a tripulação entrou no módulo lunar, Aquarius. Trinta minutos depois, abateu-se o desastre. Os três astronautas ouviram uma explosão. Swigert sentiu a espaçonave vibrar. Dois segundos depois soava o alarme geral. Da Terra ouviu-se: "Temos um problema. . . " A natureza e as dimensões do acidente rapidamente tornaram-se evidentes para a tripulação e o Controle da Missão. O tanque de oxigênio número dois, o mesmo que apresentou defeito durante o período de testes, explodiu, destruindo o reservatório de oxigênio e energia elétrica do módulo de comando e serviço. Havia uma bateria de apoio na espaçonave mas, sob condições ideais, sua duração era de apenas dez horas. Lovell e seus companheiros estavam a 386. 243 quilômetros e a 87 horas de casa. O módulo de serviço, cujo motor de propulsão os tiraria de órbita lunar e os levaria de volta à Terra, estava morto. A bateria de apoio do módulo de comando tinha que ser economizada para quando a nave se aproximasse da atmosfera da Terra, para que fosse possível o transporte do escudo de calor (indispensável para a reentrada na Terra) e dos pára-quedas (indispensáveis para uma queda segura no oceano). Agora que a nave-mãe estava parcialmente destruída, a esperança de salvação para a tripulação estava no módulo lunar. Embora projetado para dois astronautas, não três, Aquarius foi obrigado a se tornar um bote salva-vidas no espaço. Um dos maiores problemas era retirar o excesso de dióxido de carbono da Aquarius super-tripulada. Um sistema que transportava o ar rico em dióxido, através de uma mangueira, para dentro dos "canisters" de hidróxido de lítio do módulo de comando, mantinha o gás carbônico em níveis toleráveis. A performance dos motores do módulo lunar foi além das expectativas, impulsionando as duas espaçonaves (o módulo de comando e ela própria) ao redor da Lua e numa trajetória que os traria de volta à Terra 30 horas antes do planejado, e ao alvo original, no Pacífico Sul. Durante a viagem de volta, os astronautas preferiram o incômodo confinamento da Aquarius ao frio de onze graus que fazia no, agora ex, módulo de comando. O respeito aos sistemas do módulo lunar cresceu tanto entre a tripulação em terra quanto entre os astronautas. Originalmente desenhado para uma tripulação composta de dois homens, carregava três, e ultrapassando em dois dias a sua expectativa de funcionamento durante a missão. No dia 17 de abril, a tripulação voltou ao módulo de comando e acionou as baterias, empregando um aumento de força em fases para conservar eletricidade. Quatro horas e meia antes da reentrada na atmosfera terrestre, as condições do módulo de serviço foram fotografadas. Um painel inteiro foi rasgado fora pela explosão. Uma hora e meia antes da reentrada, o módulo lunar foi desconectado. O Controle da Missão, pelo rádio, despedia-se: "Adeus Aquarius. Nós te agradecemos. " À uma e oito da tarde, a Apollo 13 caia no mar. A causa do acidente foi que, como apresentava defeito, a temperatura e a pressão no tanque número 2 cresceram demasiadamente durante o vôo. Os resultados foram o fogo e a ruptura das paredes do tanque. A partir da missão Apollo 14, os materiais combustíveis foram removidos dos tanques de oxigênio, o que diminuiria os riscos de um novo incidente nas mesmas condições. Os tripulantes da Apollo 13 presentearam o Centro Espacial com um pedaço da fuselagem da Aquarius, como uma símbolo permanente de gratidão. Antes de ser desconectado, o pedaço foi removido do módulo. Lovell declarou, ainda, que o ocorrido serviria para tornar o programa espacial mais maduro e funcional no futuro.

Fonte : Enciclopédia Digital